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Testes no terreno começam para novas versões de importante cultura do mundo em desenvolvimento

(Instituto Internacional de Agricultura)
Por Cheryl Pellerin
Redactora

Washington – Começaram os testes no terreno num esforço ousado para fazer da mandioca, a principal fonte de calorias para 800 milhões de pessoas em todo o mundo, um alimento melhor e aumentar o seu potencial de produção de rendimentos, em especial para os agricultores na África Subsariana.


O projecto BioCassava Plus por um período de três anos, financiado desde 2005 por mais de $12.1 milhões em subvenções da Fundação Bill e Melinda Gates, atraiu uma equipa de cientista internacionais que está a manipular geneticamente uma série de características importantes nesta raiz de poucas proteínas e propensa a vírus, com um curto prazo de validade e muito tempo de processamento. 


“Tínhamos oito objectivos quando iniciámos o projecto”, disse ao America.gov o principal investigador Richard Sayre, um professor de biologia celular e molecular das plantas na Ohio State University. Cinco objectivos eram nutricionais: os cientistas procuraram colocar as quantidades mínimas diárias de vitaminas A e E, ferro e zinco numa refeição de 500 gramas de mandioca.


Também tencionavam tornar a cultura mais resistente a doenças virais, que reduzem a colheita de 30% a 50% em muitas zonas da África Subsariana, alargar o prazo de validade da planta de um dia para duas semanas e reduzir a toxicidade em cianeto. A planta da mandioca exige um regime de processamento de 3 a 6 dias, que deve começar logo a seguir à colheita para eliminar componentes que geram cianeto.


“No ponto em que nos encontramos agora”, disse Sayre, “demonstrámos na prática todos os objectivos em três anos”. Os cientistas criaram plantas individuais com cada característica e finalmente combinarão a maior parte das características numa única planta. Os cientistas também aumentaram o prazo de validade da mandioca utilizando a reprodução tradicional e uma abordagem transgénica, que está a seis meses de ser testada.


“Uma vantagem dos transgénicos é que são rápidos quando dão resultado”, disse ele, “por isso podemos ter um produto num ano. Com a reprodução [pode levar] muitas gerações, possivelmente 10”.

Os parceiros de BioCassava Plus provêm de instituições que se dedicam à pesquisa em Colômbia, Quénia, Nigéria, Suíça, Tanzânia, Reino Unido e Estados Unidos.


ENGENHARIA DA NUTRIÇÃO

A mandioca é amplamente cultivada na África tropical, na Ásia e na América Latina. É a quarta cultura mais importante dos países em desenvolvimento, sendo a produção de 2006 estimada em 226 milhões de toneladas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A mandioca é o alimento básico de cerca de 1 bilião de pessoas em 105 países onde este tubérculo fornece um terço das calorias diárias. Mas as colheitas médias de mandioca não chegam a 20% das conseguidas em condições óptimas.

Para produzir uma planta da mandioca melhor, os cientistas começaram com um modelo de cultura de África – uma variedade da planta que é criada ou escolhida e mantida através do cultivo. Para cada característica pretendida, a equipa transferiu para a planta da mandioca os genes de outras plantas, inclusive mandioca, e às vezes bactérias, que podiam conferir as características desejadas. 

As plantas transgénicas passaram em seguida por um processo rigoroso de aprovação em termos de biossegurança nos Estados Unidos e foram testadas em sistemas modelo – como linhas de células humanas e às vezes animais – antes de serem cultivadas fora dos campos de experimentação.


A BioCassava Plus tem agora testes em curso no terreno, no sítio do Departamento Norte-Americano da Agricultura em Porto Rico e está a trabalhar com parceiros da Universidade de Puerto Rico-Mayaguez.


“Temos pelo menos três características no terreno e contamos ter mais duas ou talvez mais até ao fim do ano”, disse Sayre.


O passo seguinte consiste em realizar testes no terreno em África com parceiros no Quénia e na Nigéria, em 2009. Depois destes testes, os cientistas podem iniciar o processo de combinação das características numa única planta.


“A África encontra-se no processo de criação de regras de biossegurança para os transgénicos na maior parte dos países”, afirmou Sayre. Quatro ou cinco países, incluindo o Quénia e a Nigéria, já têm regras criadas e dois têm transgénicos em produção comercial.
“Nós não iremos considerar países que não têm programas de biossegurança”, declarou Sayre.


O potencial lançamento preliminar da mandioca, eventualmente dentro de cinco anos, terá quatro ou cinco características, incluindo resistência ao vírus, mais proteínas, ferro e vitamina A. 


Finalmente, disse Sayre, “quando todas estas características estiverem reunidas no que será o produto preferido do agricultor em África, o trabalho será efectuado por cientistas africanos em laboratórios africanos. Nós estamos a desenvolver instrumentos sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, mas quando estiverem criados passa a ser um projecto pertencente a africanos e desenvolvido pelos mesmos”.

PARCERIA DA MANDIOCA

Um outro grupo reuniu-se em Julho para discutir o futuro da mandioca. Numa conferência mundial em Gent, Bélgica, os cientistas da mandioca, que fazem parte duma rede mundial chamada Parceria da Mandioca, apelaram a um aumento no investimento e na pesquisa necessário para melhorar as colheitas dos agricultores e explorar utilizações industriais promissoras.

A reunião foi a primeira conferência científica mundial da Parceria Mundial da Mandioca, um consórcio formado por organizações internacionais no âmbito da Estratégia Mundial de Desenvolvimento da Mandioca facilitada pela FAO.

Estas organizações incluem a FAO, o Centro Internacional para Agricultura Tropical, o Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola, o Instituto Internacional de Agricultura Tropical, instituições nacionais de investigação, organizações não governamentais e parceiros privados.

Os participantes analisaram o estado da produção de mandioca no mundo e as perspectivas futuras. Concordaram com novos projectos que serão apresentados à comunidade dos doadores e com um conjunto de investimentos necessários para que a mandioca alcance todo o seu potencial na resolução da crise alimentar e energética mundial.


 

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