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CASA BRANCA

Gabinete do Secretário de Imprensa

10 de Janeiro de 2007

DISCURSO DO PRESIDENTE À NAÇÃO

 
Presidente George W. Bush conclui seu discurso à  nação, quarta-feira à noite, 10 de Jan. de 2007, a partir da Biblioteca da Casa Branca, no qual delinea uma nova estratégia no Iraque. Foto da Casa Branca de Eric Draper
O PRESIDENTE: Boa noite. Esta noite no Iraque, as Forças Armadas dos Estados Unidos estão empenhadas numa luta que irá determinar a orientação do combate mundial contra o terror e a nossa segurança aqui no nosso país. A nova estratégia, que vou descrever hoje à noite, irá mudar o rumo da América no Iraque e irá ajudar-nos a ter êxito no combate ao terrorismo.

Quando me dirigi a vocês há mais de um ano, cerca de 12 milhões de iraquianos tinham votado por um país unificado e democrático. As eleições de 2005 foram um acontecimento extraordinário. Pensámos que estas eleições iriam unir o Iraque e que, como estávamos a treinar as forças de segurança iraquianas, podíamos cumprir a nossa missão com menos tropas americanas. 

Mas em 2006, aconteceu precisamente o contrário. A violência no Iraque – em particular em Bagdade – ultrapassou os ganhos políticos que os iraquianos tinham conseguido. Terroristas da Al Qaeda e rebeldes sunitas reconheceram o perigo mortal que as eleições iraquianas representavam para a sus causa e responderam com actos ultrajantes de assassinato contra iraquianos inocentes. Fizeram explodir um dos santuários mais sagrados do islamismo xiita – a Mosquita Dourada de Samarra – num esforço calculado para provocar a retaliação dos xiitas. A estratégia funcionou. Elementos xiitas radicais, alguns apoiados pelo Irão, constituíram esquadrões da morte. E o resultado foi um ciclo vicioso de violência sectária que continua ainda hoje. 

A situação no Iraque é inaceitável para o povo americano e é inaceitável para mim. As nossas tropas no Iraque têm combatido com bravura. Têm feito tudo o que lhes temos pedido que façam. Se houve erros, eu sou o responsável.

É evidente que temos que mudar a nossa estratégia no Iraque. Por isso a minha equipa de segurança nacional, comandantes militares e diplomatas efectuaram uma análise detalhada. Consultámos membros do Congresso de ambos os partidos, os nossos aliados no estrangeiro e distintos especialistas externos. Beneficiámos de recomendações judiciosas do Grupo de Estudo sobre o Iraque, um painel bipartidário chefiado pelo antigo Secretário de Estado James Baker e pelo ex-congressista Lee Hamilton. Nas nossas discussões, todos concordámos que não existe uma fórmula mágica para o sucesso no Iraque. E surgiu uma mensagem muito clara: fracassar no Iraque seria um desastre para os Estados Unidos.

As consequências do fracasso são evidentes: a força dos extremistas islâmicos radicais aumentará e conseguirão novos recrutas. Ficarão numa posição mais confortável para derrubar governos moderados, criar o caos na região e utilizar os rendimentos do petróleo para financiarem as suas ambições. O Irão ficará mais ousado na sua busca de armas nucleares. Os nossos inimigos terão um refúgio seguro aonde poderão planear e lançar ataques contra o povo americano. A 11 de Setembro de 2001, vimos o que um refúgio para extremistas no outro lado do mundo pode causar às ruas das nossas próprias cidades. Para a segurança do nosso povo, a América deve ter êxito no Iraque.

A prioridade mais urgente para o sucesso no Iraque é a segurança, em especial em Bagdade. Oitenta por cento da violência sectária no Iraque ocorre dentro de 48 km da capital. Esta violência está a dividir Bagdade em enclaves sectários e a abalar a confiança de todos os iraquianos. Só os iraquianos podem pôr cobro à violência sectária e proteger o seu povo. E o seu governo criou um plano agressivo nesse sentido.

Os nossos esforços passados para proteger Bagdade falharam por duas razões principais: não houve tropas iraquianas e americanas suficientes para proteger os bairros que foram libertados de terroristas e rebeldes. E houve demasiadas restrições quanto às tropas que tínhamos. Os nossos comandantes militares reviram o novo plano iraquiano a fim de assegurar que corrigia estes erros. Dizem que sim. Também dizem que este plano pode resultar.

Agora permitam-me que vos explique quais são os elementos principais deste esforço: o governo iraquiano designará o comandante militar e dois comandantes adjuntos para a capital. O governo iraquiano enviará tropas iraquianas e brigadas da polícia nacional para os nove distritos de Bagdade. Quando estas forças estiverem completamente instaladas, haverá 18 brigadas do exército iraquiano e da polícia nacional empenhadas neste esforço, juntamente com a polícia local. Estas forças iraquianas irão operar a partir de esquadras locais da polícia – fazendo patrulhas e estabelecendo pontos de controlo e indo de porta em porta de modo a ganharem a confiança dos residentes de Bagdade. 

Este é um compromisso forte. Mas para que seja bem sucedido, os nossos comandantes dizem que os iraquianos irão precisar da nossa ajuda. Por isso a América irá mudar a sua estratégia a fim de ajudar os iraquianos a realizarem a sua campanha para acabar com a violência sectária e levar a segurança à população de Bagdade. Isto exigirá um número maior de forças americanas. Por isso atribui mais de 20.000 tropas adicionais ao Iraque. A sua grande maioria – cinco brigadas – ficará colocada em Bagdade. Estas tropas trabalharão juntamente com unidades iraquianas e ficarão integradas nas suas formações. As nossas tropas terão uma missão bem definida: ajudar os iraquianos a limpar e a proteger os bairros, ajudá-los a proteger a população local e ajudar a assegurar que as forças iraquianas sozinhas sejam capazes de garantir a segurança de Bagdade.

Muitos que me escutam hoje à noite perguntarão se este esforço terá êxito uma vez que operações para proteger Bagdade não o tiveram. Bem, aqui estão as diferenças: nas operações anteriores, as forças iraquianas e americanas libertaram muitos bairros de terroristas e rebeldes, mas quando as nossas tropas foram para outros alvos, os assassinos regressaram. Desta vez, teremos as tropas de que precisamos para manter estas zonas que foram libertadas. Em operações anteriores, a interferência política e sectária impediu as tropas iraquianas e americanas de irem aos bairros que albergam os que alimentam a violência sectária. Desta vez, as forças iraquianas e americanas terão luz verde para entrarem nesses bairros – e o Primeiro Ministro Maliki anunciou que a interferência política ou sectária nãos seria tolerada.

Deixei claro ao Primeiro Ministro e aos outros líderes iraquianos que o empenhamento da América não é ilimitado. Se o governo iraquiano não cumprir as suas promessas, perderá o apoio do povo americano e perderá o apoio do povo iraquiano. Agora é a altura de agir. O Primeiro Ministro compreende isto. Aqui está o que ele disse ao seu povo na semana passada: “O plano de segurança de Bagdade não servirá de refúgio para bandidos, independentemente da [sua] filiação sectária ou política”.

Esta nova estratégia não porá fim imediato aos ataques suicidas, assassinatos ou explosões intermitentes. Os nossos inimigos no Iraque fazem todos os esforços para assegurar que os ecrãs dos nossos televisores ficam cheios de imagens de morte e sofrimento. Contudo, com o passar do tempo, esperamos ver tropas iraquianas a perseguir os assassinos, menos actos terroristas descarados e uma maior confiança e cooperação dos habitantes de Bagdade. Quando isto acontecer, a vida quotidiana melhorará, os iraquianos ganharão confiança nos seus líderes e o governo terá o espaço de que precisa para fazer progressos noutras áreas essenciais. A maioria dos sunitas e xiitas iraquianos quer viver em paz juntos – e a redução da violência em Bagdade irá tornar possível a reconciliação. 

Uma estratégia para o Iraque é mais do que operações militares. Os cidadãos iraquianos comuns vêem que as operações militares são acompanhadas de melhorias visíveis nos seus bairros e nas suas comunidades. Por isso a América vai apoiar o governo iraquiano no sentido de atingir os marcos que anunciou.

Para estabelecer a sua autoridade, o governo iraquiano tenciona assumir a responsabilidade pela segurança em todas as províncias iraquianas até Novembro. Para facultar a cada iraquiano uma participação na economia do país, o Iraque deve aprovar leis no sentido de partilhar os rendimentos do petróleo entre todos os iraquianos. Para mostrar que está empenhado em proporcionar uma vida melhor, o governo iraquiano gastará $10 mil milhões dos seus próprios recursos financeiros em projectos de reconstrução e infra-estruturas que criarão novos postos de trabalho. Para dar poder aos líderes locais, os iraquianos tencionam realizar eleições provinciais ainda este ano. E para permitir que mais iraquianos voltem a entrar na vida política do seu país, o governo procederá à reforma das leis do partido Baath e criará um processo justo para considerar emendas à constituição do Iraque.

A América mudará a sua forma de ajudar o governo iraquiano para que este atinja as suas metas. Seguindo as recomendações do Grupo de Estudo sobre o Iraque, aumentaremos a integração de conselheiros americanos nas unidades do exército iraquiano e faremos a parceria de cada brigada da coligação com cada divisão do exército iraquiano. Ajudaremos os iraquianos a constituir um exército maior e mais bem equipado e iremos acelerar a formação das tropas iraquianas, o que continua a ser essencial para a missão de segurança americana no Iraque. Daremos aos nossos comandantes e civis uma maior flexibilidade na utilização de fundos para ajuda económica. Duplicaremos o número de equipas de reconstrução provincial. Estas equipas unem especialistas militares e civis a fim de ajudar as comunidades locais iraquianas a alcançarem a reconciliação, reforçar e moderar, e apressar a transição para a auto-suficiência do Iraque. A Secretária Rice designará brevemente um coordenador da reconstrução em Bagdade de modo a assegurar melhores resultados para a ajuda económica a ser empregue no Iraque.

Ao mesmo tempo que fazemos estas modificações, continuaremos a perseguir os combatentes estrangeiros da Al Qaeda. A Al Qaeda ainda está em actividade no Iraque. A sua base situa-se na província de Anbar. A Al Qaeda ajudou a tornar Anbar a zona mais violenta do Iraque fora da capital. Um documento apreendido da Al Qaeda descreve o plano dos terroristas de se infiltrarem e tomarem o controlo da província. Isto aproximaria a Al Qaeda dos seus objectivos de acabar com a democracia iraquiana, construindo um império radical islâmico e lançando novos ataques contra os Estados Unidos no país e no estrangeiro.  

Os nossos militares em Anbar estão a matar e a capturar líderes da Al Qaeda e a proteger a população local. Recentemente, líderes tribais locais começarem a mostrar que estão dispostos a desafiar a Al Qaeda. E por conseguinte, os nossos comandantes acreditam que temos uma oportunidade de desferir um golpe sério aos terroristas. Assim, dei ordens para aumentar as tropas americanas na província de Anbar em 4.000 militares. Estas tropas trabalharão com as forças tribais e iraquianas para manter a pressão sobre os terroristas. Os homens e mulheres americanos uniformizados acabaram com o refúgio da Al Qaeda no Afeganistão e não permitirão que se reinstale no Iraque.

O sucesso no Iraque também requer que se defenda a sua integridade territorial e estabilize a região perante os desafios extremistas. Isto começa por tratar do Irão e da Síria. Estes dois regimes estão a permitir que os terroristas e os rebeldes utilizem o seu território para ataques contra as tropas americanas. O Irão está a dar apoio material para os ataques contra tropas americanas. Vamos acabar com os ataques contra as nossas tropas. Vamos interromper o fluxo de apoio do Irão e da Síria. E vamos procurar e destruir as redes que fornecem armamento avançado e formação aos nossos inimigos no Iraque.

Também estamos a tomar outras medidas para melhorar a segurança do Iraque e proteger os interesses americanos no Médio Oriente. Ordenei recentemente o envio de mais um porta-aviões para a região. Vamos aumentar a partilha de informação e enviar sistemas de defesa aérea Patriot a fim de tranquilizar os nossos amigos e aliados. Vamos trabalhar com os governos da Turquia e do Iraque no sentido de os ajudar a resolver os problemas ao longo das suas fronteiras. E vamos trabalhar com outros para evitar que o Irão consiga armas nucleares e domine a região.

Empregaremos todos os recursos diplomáticos da América para conseguir o apoio de todos os países do Médio Oriente ao Iraque. Países como a Arábia Saudita, o Egipto, a Jordânia e os Estados do Golfo devem compreender que uma derrota americana no Iraque criaria um novo santuário para os extremistas e uma ameaça estratégica à sua sobrevivência. Estes países têm interesse num Iraque bem sucedido e em paz com os seus vizinhos e devem aumentar o seu apoio ao governo de unidade do Iraque. Nós apoiamos o apelo do Iraque para finalizar um Acordo Internacional que traga novo apoio económico em troca duma maior reforma económica. E na sexta-feira, a Secretária Rice partirá para a região a fim de conseguir apoio para o Iraque e prosseguir esforços diplomáticos urgentes de modo a levar a paz ao Médio Oriente.

Os desafios enfrentados no grande Médio Oriente constituem mais do que um conflito militar. É a luta ideológica decisiva da nossa época. Dum lado estão os que acreditam na liberdade e na moderação. Do outro estão os extremistas que matam inocentes e que declararam a sua intenção de destruir a nossa maneira de viver. A longo prazo, a forma mais realista de proteger o povo americano é proporcionar uma alternativa credível à ideologia de ódio do inimigo, fazendo avançar a liberdade através duma região agitada. É do interesse dos Estados Unidos apoiar os corajosos homens e mulheres que estão a arriscar as suas vidas para manter a liberdade e ajudá-los enquanto trabalham para criar sociedades justas e optimistas em todo o Médio Oriente.

Do Afeganistão ao Líbano, aos Territórios Palestinianos, milhões de pessoas comuns estão fartas de violência e querem um futuro de paz e oportunidade para os seus filhos. E estão a olhar para o Iraque. Querem saber: a América vai retirar-se e entregar o futuro do país aos extremistas ou vai apoiar os iraquianos que escolheram a liberdade?

As mudanças que eu descrevi esta noite têm como objectivo assegurar a sobrevivência duma jovem democracia que está a lutar pela vida numa parte do mundo de enorme importância para a segurança americana. Serei claro: os terroristas e os rebeldes no Iraque não têm consciência e farão deste um ano sangrento e violento. Mesmo que a nossa estratégia funcione exactamente como planeado, continuarão os actos fatais de violência e devemos contar com mais vítimas iraquianas e americanas. A questão é se a nossa nova estratégia nos aproximará do sucesso. Acredito que sim.

A vitória não será semelhante à que os nossos pais e avós alcançaram. Não haverá cerimónia de rendição no convés dum vaso de guerra. Mas a vitória no Iraque trará algo de novo ao mundo árabe: uma democracia que funciona, que controla o seu território, mantém um estado de direito, respeita os direitos humanos fundamentais e responde ao seu povo. Um Iraque democrático não será perfeito. Mas será um país que luta por um futuro de paz e segurança para os seus filhos e netos.

Esta nova abordagem surge após consultas ao Congresso sobre as várias vias a seguir quanto ao Iraque. Muitos estão preocupados com o facto dos iraquianos se estarem a tornar demasiado dependentes dos Estados Unidos e, portanto, a nossa política deve incidir em proteger as fronteiras iraquianas e perseguir a Al Qaeda. A sua solução consiste em diminuir os esforços americanos em Bagdade ou anunciar a retirada faseada das nossas tropas. Considerámos cuidadosamente as suas propostas. E concluímos que recuar agora causaria o colapso do governo iraquiano, dividiria o país e resultaria em assassinatos em massa, numa escala incalculável. Tal cenário obrigaria as nossas tropas a ficarem ainda mais tempo no Iraque e a enfrentarem um inimigo ainda mais perigoso. Se aumentarmos o nosso apoio neste momento crucial e ajudarmos os iraquianos a quebrarem o ciclo actual de violência, podemos apressar o dia do regresso das nossas tropas a casa.

Nos próximos dias, a minha equipa de segurança nacional irá informar totalmente o Congresso sobre a nossa nova estratégia. Se os membros tiverem melhorias que podem ser feitas, faremos. Se as circunstâncias mudarem, adaptar-nos-emos. As pessoas honestas têm opiniões diferentes e exprimem as suas críticas. É justo pôr à prova as nossas opiniões. E todos os implicados têm a responsabilidade de explicar como é que a via que eles propõem tem mais probabilidades de ser bem sucedida.

Seguindo os bons conselhos do Senador Joe Lieberman e de outros importantes membros do Congresso, formaremos um novo grupo de trabalho bipartidário, que irá ajudar-nos a chegar um consenso para ganharmos a guerra contra o terrorismo. Este grupo reunir-se-á regularmente comigo e com a minha administração; ajudará a reforçar a nossa relação com o Congresso. Podemos começar por trabalhar conjuntamente a fim de aumentar o número de efectivos do exército e da marinha para que a América tenhas as Forças Armadas de que precisa para o século XXI. Também temos que examinar formas de mobilizar civis americanos capazes para os enviar para o estrangeiro, onde possam ajudar a criar instituições democráticas em comunidades e países que estão a recuperar da guerra e da tirania.

Nesta época perigosa, os Estados Unidos têm e bênção de ter homens e mulheres extraordinários e altruístas, dispostos a avançar e a defender-nos. Estes jovens americanos compreendem que a nossa causa no Iraque é nobre e necessária e que o avanço da liberdade é o apelo da nossa época. Eles prestam serviço militar longe das suas famílias, que fazem sacrifícios silenciosos de feriados solitários e cadeiras vazias à mesa do jantar. Viram os seus camaradas a darem a vida para garantirem a nossa liberdade. Choramos a perda de cada americano que faleceu e devemos-lhes a eles a construção dum futuro digno do seu sacrifício.

Concidadãos: o ano que temos pela frente exigirá mais paciência, sacrifício e determinação. Pode ser tentador pensar que a América pode pôr de lado o fardo da liberdade. Contudo, tempos difíceis revelam o carácter duma nação. E através da nossa história, os americanos sempre desafiaram os pessimistas e viram a sua fé na liberdade recompensada. Agora a América está empenhada numa nova luta que estabelecerá o curso dum novo século. Podemos triunfar e triunfaremos.

Temos fé que o Autor de Liberdade nos guiará através destas horas difíceis. Muito obrigado e boa noite.

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