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Discursos do Embaixador

Perspectivas para as Relações Estados Unidos - Angola, em 2013

6 de Dezembro, 2012

Bom dia.  Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a Jeannine Scott, Presidente da Câmara do Comércio EU– Angola, que veio de visita de Washington, e ao Pedro Godinho, Director Executivo da Câmara, por organizarem este evento, e pela sua excelente liderança da Câmara. 

Como já tive oportunidade de referir várias vezes, a relação entre os Estados Unidos e Angola não é apenas uma relação entre dois governos.  É sim uma relação entre dois países, incluindo as suas economias e todas as empresas angolanas e americanas que trabalham em conjunto. Neste contexto, a Câmara desempenha um papel crucial na promoção e fortalecimento das nossas relações bilaterais.

O tema do debate de hoje é “Perspectivas para as Relações Estados Unidos – Angola, em 2013”.  Mas, gostaria de começar por mencionar alguns dos pontos altos, em 2012, das relações bilaterais.

1) Visitas

Primeiro, durante o ano passado, tivemos várias visitas de alto nível de ambos os lados.  A nossa Subsecretária para os Assuntos Políticos, Embaixadora Wendy Sherman, visitou Angola, em Março, e encontrou-se com o Ministro Chikoti, bem como com representantes do sector privado e membros da sociedade civil. 

Em Julho, o Secretário de Estado do MIREX, Rui Mangueira (que é agora Ministro da Justiça) liderou uma delegação de vários ministerios aos Estados Unidos. 

E apenas há algumas semanas, o Secretário Adjunto do nosso Departamento do Tesouro, Neal Wolin, visitou Luanda. A sua visita destacou uma das áreas de maior sucesso da cooperação bilateral entre os nossos governos, nomeadamente a presença de uma especialista do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que, desde 2010, trabalha no Ministério das Finanças e no Banco Central de Angola para melhorar as suas competências de gestão da dívida e planeamento financeiro a longo prazo.  

Se tudo correr bem, o nosso Departamento do Tesouro terá cá, em breve, um segundo especialista a ajudar o governo angolano a implementar as suas medidas anti-lavagem de dinheiro.

Além disso, a visita do Secretário-Adjunto Neal Wolin,  e a visita do Secretário de Estado Mangueira a Washington, em Julho, foram importantes, porque permitiram abordar a problemática questão das contas bancárias da Embaixada Angolana. Como sabem, durante os últimos anos, vários bancos americanos decidiram sair do negócio bancário com as embaixadas, deixando, por vezes, as Embaixadas de Angola e de outros países sem serviços bancários por meses.  Esta foi uma questão muito difícil para os nossos dois governos durante o meu serviço em Angola. Felizmente, neste momento, a Embaixada e os Consulados de Angola já têm contas bancárias.  E, embora eu não possa garantir que esta questão esteja definitivamente solucionada, posso afirmar que os nossos dois governos estão agora a trabalhar de modo muito mais próximo e colaborativo, como o mostram estas visitas.

2) Eleição do CNUDH

Gostaria de mencionar um outro assunto que pode não ter recebido muita atenção na comunidade empresarial.  Em Novembro, os Estados Unidos foram reeleitos para um novo mandato de três anos no Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos, do qual Angola também é membro. A reeleição para este importante órgão era uma prioridade do Presidente Obama, e o governo angolano comprometeu-se em apoiar a nossa candidatura, e em termos muito claros.  Esse apoio foi grandemente apreciado em Washington e na nossa Missão das Nações Unidas em Nova Iorque.  Por certo, nas Nações Unidas, os Estados Unidos e Angola nem sempre estão de acordo sobre todas as questões, mas valorizamos a oportunidade de trabalhar construtivamente com Angola em assuntos de importância global.

3) Comércio e Investimento

Outro ponto alto do ano passado foi o ritmo crescente do comércio entre os nossos dois países, e o desejo cada vez maior das empresas americanas de investir em Angola.

As exportações dos Estados Unidos para Angola aumentaram dezasseis por cento durante o ano passado, enquanto as exportações de Angola para os Estados Unidos aumentaram quatorze por cento.

Quanto ao investimento, parece que todos os meses me encontro com uma outra companhia Americana que está interessada em vir para Angola, ou em expandir a sua presença  – em muitos casos, para além do sector do petróleo e do gás. 

Este progresso não é surpreendente. Angola é uma terra de oportunidades e as companhias americanas, com os seus elevados padrões, tecnologia de nível mundial, e o compromisso de formar os trabalhadores locais, podem contribuir aqui em muitas áreas.

4) Eleições

Finalmente, no ano passado, os nossos dois países realizaram eleições com êxito. 

Nos meses que antecederam as eleições americanas, perguntaram-me frequentemente como é que a política dos Estados Unidos em relação a Angola seria afectada pelos resultados.  

Respondi sempre, e acredito que é a verdade, que a nossa política para Angola continuará a ser a mesma, independentemente das nossas eleições. As nossas relações com Angola são determinadas pelos nossos interesses nacionais, não pela política dos partidos.

Passadas as eleições, e uma vez que os nossos presidentes foram reconduzidos ao poder pelos seus povos, podemos agora voltar ao trabalho de aprofundar, promover e expandir a nossa Parceria Estratégica.

O nosso plano de trabalho com Angola no próximo ano será baseado na política para África do Presidente Obama, que foi divulgada no início deste ano.

A Estratégia do Presidente Obama para África

A estratégia dos Estados Unidos para África tem quatro objectivos: primeiro, reforçar as instituições democráticas; segundo, promover o crescimento económico, comércio e investimento; terceiro, promover oportunidade e desenvolvimento, e quarto, promover a paz e a segurança. 

Alguns poderão dizer que o primeiro objectivo, reforçar as instituições democráticas, será o menos importante no próximo ano, agora que as eleições já foram realizadas, mas permitam-me discordar.   Ter uma democracia forte e activa é muito mais do que realizar eleições regulares.  Trata-se de um diálogo permanente entre o povo e o seu governo.  As instituições democráticas incluem uma imprensa livre e responsável, e uma sociedade civil activa.  No próximo ano, continuaremos o nosso engajamento com todos esses grupos.

O segundo objectivo, promover o crescimento económico, comércio e investimento, é obviamente uma grande parte do nosso trabalho e do trabalho da Câmara do Comércio.  Embora o comércio entre os Estados Unidos e Angola esteja a crescer, creio que pode crescer mais rapidamente.  Estou convencido de que existem companhias americanas que estariam interessadas em Angola, se soubessem mais sobre as oportunidades aqui existentes. 

No ano passado, visitei três vezes a África do Sul para falar com empresas americanas sobre as vantagens de investir em Angola.  

Espero visitar novamente a África do Sul, no início do próximo ano, juntamente com uma delegação de alto nível de empresários angolanos, para participar num Fórum promovido pela Câmara do Comércio Estados Unidos – África do Sul sobre fazer negócios em Angola.  Gostaria de ouvir os pontos de vista e ideias de qualquer dos presentes sobre o que o meu governo poderá ainda fazer para conjugar empresas americanas e oportunidades angolanas.

O terceiro objectivo, promover oportunidades e desenvolvimento, recorda-nos o discurso do Presidente dos Santos no acto de tomada de posse, em Setembro.     O Presidente abordou a sua intenção de se concentrar no desenvolvimento do capital humano de Angola.  Já mencionei a extensão na qual as empresas americanas, com o seu firme compromisso de formar os trabalhadores locais e desenvolver a capacidade local, podem desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento contínuo de Angola.  Devo também mencionar a forte parceria que existe entre o meu governo e o Ministério da Saúde de Angola, que trabalham juntos contra a malária, SIDA e outras doenças.

O quarto objectivo do Presidente Obama é promover a paz e a segurança.  Dez anos após o fim da guerra civil, existem algumas áreas de Angola que sofrem a herança das minas terrestres.  O apoio do meu governo às organizações que removem essas minas continua a ser forte, e continuará  nos  próximos anos.

Além das fronteiras de Angola, pode ser difícil prever exactamente de onde surgirão os maiores desafios para a paz e segurança.  Se me tivessem perguntado, há um ano, para referir a crise principal de 2012, eu não teria previsto o Mali, mas o Mali foi o desafio principal do ano.  Directamente no norte de Angola, a RDC está novamente confrontada com problemas. Seja onde for que surja um problema, sei que os Estados Unidos estão prontos a trabalhar com Angola e com as organizações regionais de África para tratar dos principais desafios do continente.

Conclusão – 20º (vigésimo) Aniversário

Por fim, existe uma previsão para o próximo ano, que eu posso fazer com cem por cento de confiança. 

O 19 de Maio de 2013 marcará o 20º aniversário do dia em que os Estados Unidos e Angola estabeleceram formalmente relações diplomáticas, em 1993. 

Este aniversário dá-nos oportunidade de destacarmos a distância que os nossos dois países percorreram para superarem um passado difícil. Ultrapassamos vários problemas graves através da paciência, do engajamento, e do diálogo.

Cremos que este é um marco importante na nossa relação. Por esta razão, a nossa Embaixada vai organizar uma série de eventos para comemorar este aniversário: eventos culturais, eventos que recordam a história das nossas relações e eventos que destacam o importante papel que muitos actores – incluindo as empresas privadas --  desempenham  na  nossa parceria crescente. 

Contamos com a vossa participação nesses eventos. Nos próximos meses será divulgada mais informação

Mais uma vez, agradeço a todos os presentes pela atenção, e estou pronto para responder às vossas questões.