Departamento critica plano de nova contagem dos votos das eleições presidenciais de 29 de Março
Por Stephen Kaufman
Redactor
Washington – A administração Bush condenou as forças leais ao governo do Zimbabué por recorrerem à violência contra os apoiantes da oposição e os responsáveis americanos também criticaram a comissão eleitoral pela sua intenção de contar de novo os votos das eleições presidenciais de 29 de Março.
O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que os membros das forças de segurança do Zimbabué e apoiantes do partido do Presidente Robert Mugabe no poder, ZANU-PF, têm estado a recorrer à violência e à intimidação na sequência das eleições presidenciais e legislativas de 29 de Março no Zimbabué.
“Estes incidentes parecem ter como alvo pessoas que votaram contra os candidatos do ZANU-PF durante as eleições”, disse McCormack numa declaração a 11 de Abril.
Apelando ao governo de Mugabe para que deixe de perpetrar tais actos imediatamente e mostre moderação e respeito pelos direitos humanos, McCormack disse que “não há lugar para violência ou intimidação numa sociedade democrática”.
O Departamento de Estado também actualizou o alerta de viagem para cidadãos americanos no Zimbabué a 11 de Abril, dizendo que algumas forças militares e policiais, bem como veteranos de guerra, estão a “criar um clima de intimidação e medo por todo o país”.
Segundo o alerta de viagem, os americanos deviam estar atentos porque estas forças têm estado particularmente activas em zonas rurais e subúrbios muito populosos. “Tem havido ataques a apoiantes da oposição e prisões de responsáveis eleitorais acusados de fraude. Há um risco constante de detenção ou prisão arbitrária.
O Presidente Bush telefonou ao Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, a 15 de Abril, para discutir a situação no Zimbabué, declarou o porta-voz da Casa Branca para a segurança nacional, Gordon Johndroe. Segundo Johndroe, Bush disse a Ban que é “importante que a situação no Zimbabué seja resolvida pacificamente e em breve. Já durou demasiado”.
Em comentários feitos aos jornalistas a 15 de Abril, McCormack disse que o Zimbabué “enfrenta uma crise” tanto política porque a Comissão Eleitoral do Zimbabué (ZEC) se recusou a anunciar os resultados das eleições presidenciais de 29 de Março, como económica porque as políticas de longa data do governo levaram a hiper inflação, falta de alimentos e desemprego em grande escala.
Apesar de nunca ter divulgado os resultados da votação, a comissão, que é composta por pessoas designadas pelo governo de Mugabe, está a exigir a recontagem dos votos.
McCormack criticou a ideia, dizendo “não há um bom controlo das urnas” desde 29 de Março. “Tudo pode acontecer entre o dia das eleições e a altura da recontagem e este é um motivo de grande preocupação não só para os Estados Unidos mas também para outros países em todo o mundo”, declarou ele.